O Excesso de Peso Pode Prejudicar o Coração?

Can Extra Weight Hurt Your Heart?

Os quilos a mais podem prejudicar a sua saúde geral — mas será que também afetam o coração? Sim, mas a resposta sobre como isso acontece não é assim tão simples.

O coração é um órgão extraordinário que bombeia cerca de cinco litros de sangue por minuto e até 7 500 litros por dia. No entanto, as doenças associadas a este órgão notável são também a principal causa de morte tanto em homens como em mulheres, representando 1 em cada 4 mortes nos Estados Unidos todos os anos. O estilo de vida pode ter um impacto enorme nas doenças cardiovasculares, mas e o peso? Em particular, será que carregar quilos a mais afeta a saúde do coração?

Como é que o excesso de peso afeta o coração?

Afinal, o excesso de peso pode agravar outros fatores de risco, como o colesterol elevado e a resistência à insulina, ambos com impacto na saúde cardíaca. A resistência à insulina faz parte de um ciclo particularmente insidioso — quanto mais gordura acumula, mais resistente à insulina se torna, levando à secreção de mais insulina e ao armazenamento de mais gordura.

Sobrecarga do sistema circulatório

Toda essa gordura extra exige mais oxigénio e nutrientes, o que significa que os vasos sanguíneos precisam de fazer circular mais sangue, sobrecarregando assim o coração e contribuindo para o aumento da pressão arterial. Esta pressão arterial elevada, também conhecida como hipertensão, é prejudicial e é muitas vezes chamada de "assassino silencioso" porque pode não apresentar sintomas. O Dr. Morton Tavel, autor de Health Tips, Myths and Tricks: A Physician's Advice, acredita que a "obesidade saudável" é um mito que pode ser refutado por estudos de longo prazo. Quanto ao coração, o Dr. Tavel afirma que a relação entre a obesidade e a pressão arterial elevada é clara. "Não só existe uma estreita correlação entre estes dois fatores, como verificamos que a redução do peso corporal provoca frequentemente uma redução desproporcionada da pressão arterial muito rapidamente. Isto, por si só, constitui um incentivo importante para quem sofre de obesidade e hipertensão e deseja obter uma melhoria rápida da pressão arterial antes de recorrer a medicamentos anti-hipertensores." Como a hipertensão pode ser reduzida através da gestão do peso, ao diminuir a hipertensão, as pessoas podem também potencialmente prevenir outras doenças cardíacas, incluindo insuficiência cardíaca, fibrilhação auricular e doenças coronárias e valvulares. Para além da ligação evidente entre a obesidade e as doenças cardíacas, a obesidade está também associada a diabetes tipo 2, acidente vascular cerebral, cancro, doença renal e osteoartrite, entre outras doenças.

A localização da gordura é importante

A localização da gordura importa quando se trata de doenças cardíacas? Sim. A gordura abdominal é a mais preocupante. Um estudo de 2018 publicado no Journal of the American Heart Association concluiu que mulheres com gordura abdominal tinham um risco 10% a 20% maior de sofrer um ataque cardíaco do que mulheres com excesso de peso generalizado. O sexo biológico também tem uma influência específica na gordura abdominal e nas doenças cardíacas, sendo a relação cintura-anca 18% mais forte como preditor de ataque cardíaco nas mulheres, em comparação com 6% nos homens. E nas mulheres mais velhas, a gordura abdominal pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral — mesmo nas que apresentam um IMC normal.

O que pode fazer de forma proativa

A boa notícia é que qualquer perda de peso pode ajudar, e definir um objetivo de peso realista é um bom passo para o conseguir. Se sofre de obesidade, perder apenas 3 a 5 por cento do seu peso corporal pode reduzir o mau colesterol e os níveis de glicose no sangue, ambos benéficos para o coração. Mesmo subir regularmente para uma balança pode ajudá-lo a perder peso. E mesmo sem perda de peso, manter-se ativo pode ainda assim ajudar a alcançar uma frequência cardíaca em repouso mais baixa, menos gordura corporal e uma melhor saúde cardíaca. Por isso, não se esqueça de continuar a mover-se, mesmo que a balança não se mova — o seu coração agradece.