Se já foi alguma vez a um consultório médico, é provável que um médico lhe tenha usado um estetoscópio. Mas alguma vez se perguntou exatamente o que são e como funcionam?
Antes de mais: o que é um estetoscópio? Já sei — está a dizer: "Aquele aparelho com as duas coisas nas orelhas que os médicos usam para ouvir o coração?" O que é quase correto! Na verdade, é utilizado para ouvir o coração ou a respiração, e pode até ser usado para ouvir os intestinos (!) e o fluxo sanguíneo. Num estetoscópio acústico tradicional, a "coisa" que fica encostada ao peito chama-se ressonador, e as outras duas coisas são auriculares ligados por tubo de borracha. Na verdade, o nosso fabuloso novo BPM Core é um monitor de pressão arterial com um estetoscópio digital integrado e ECG — mas voltaremos a isso mais tarde. A palavra "estetoscópio" vem da palavra grega "stēthos", que significa "peito", e da palavra "skopein", que significa "observar". Não é um esfigmomanómetro — claramente a maior palavra de todos os tempos — mas serve. (Por falar nisso, recomendamos mesmo que leia o nosso artigo sobre a história do monitor de pressão arterial, com a Mulher Maravilha como protagonista, se ainda não o fez.)
Quem o inventou? Primeiro, um pouco de contexto: antes de ser inventado o aparelho com as duas coisas, os médicos ouviam normalmente os batimentos cardíacos dos pacientes colocando os ouvidos diretamente no peito destes. Evidentemente, dada a falta de amplificação do som, este não era o método mais preciso para obter informações sobre um paciente. Sem mencionar que era algo embaraçoso.
Foi René Théophile Hyacinthe Laennec quem, em 1816, inventou o estetoscópio moderno no Hospital Necker Enfants Malades, em Paris. Segundo um relato, ele teve a ideia ao ver crianças a brincar com paus ocos e ao perceber que o som de um arranhão numa extremidade era amplificado na outra. (Nota para mim mesmo: prestar mais atenção ao que os filhos dos vizinhos andam a fazer.) Mais tarde, ao examinar uma paciente do sexo feminino, Laennec — como muitos médicos da época — sentiu-se embaraçado por ter de encostar o ouvido ao peito de uma mulher para ouvir o seu coração. Por isso, enrolou uma folha de papel, encostou-a ao peito dela — e voilà! Nascia assim o primeiro estetoscópio. Posteriormente, Laennec, que também era flautista, trocou o papel enrolado por um tubo de madeira oco com três partes amovíveis. Uma grande invenção, mas com um inconveniente sério: era monoaural, o que significa que só conseguia ouvir com um ouvido.
Mas houve melhorias, certo? Sim! Em 1851, o médico irlandês Arthur Leared criou uma versão binaural, permitindo que os médicos ouvissem com ambos os ouvidos. Mas os materiais de Leared precisavam de ser aperfeiçoados: a versão apresentada na Grande Exposição de Londres de 1851 era feita de plástico rígido. (Ai.) Pouco depois, um médico chamado George Cammann inventou uma variação comercialmente viável com peças auriculares de marfim e um tubo metálico ligado a uma junta articulada e uma faixa elástica. Curiosamente, Cammann nunca patenteou a sua invenção, pois queria que esta estivesse disponível para todos os médicos. Pequenas melhorias foram sendo feitas até ao século XX. Uma versão dos anos 40 tinha um lado para o sistema respiratório e o outro para o sistema cardiovascular. Na década de 1960, o professor da Harvard Medical School David Littmann inventou um estetoscópio mais leve com melhor qualidade de som. Na década de 1970, os estetoscópios eletrónicos tornaram-se uma realidade — embora a qualidade do som fosse muitas vezes limitada, uma vez que tendiam a amplificar apenas sons de gama média e não sons de baixa ou alta frequência. Mais recentemente, o Dr. Tarke Loubani utilizou um estetoscópio Littmann como base de um estetoscópio de código aberto, baixo custo e impresso em 3D para ser utilizado em locais onde os dispositivos médicos escasseiam.O que nos traz a… É possível que já tenha visto a excelente cobertura mediática da nossa inovação premiada que chamamos BPM Core. Mas se não viu, aqui está o resumo: é o nosso novo monitor inteligente de pressão arterial, que inclui um estetoscópio digital e um eletrocardiograma (ECG), para que possa fazer medições em casa e guardar os seus dados na aplicação Health Mate para partilhar com o seu médico. (Sem papel enrolado necessário.) O estetoscópio digital permite-lhe detetar potencialmente doenças cardíacas valvulares (DCV), que podem ser assintomáticas e levar a insuficiência cardíaca. Para detetar problemas valvulares, o dispositivo utiliza um estetoscópio digital e um algoritmo analítico calibrado em colaboração com o Hospital Georges Pompidou, em Paris. O sensor fica posicionado na lateral do seu peito durante uma medição da pressão arterial, e passa 20 segundos a auscultar e a avaliar o desempenho cardíaco. Incrível, não é?
E é assim! Esperamos que tenha gostado desta viagem ao passado — e de uma antevisão do nosso mais recente e fantástico dispositivo de saúde conectada.